|
Perguntas mais Freqüentes
1.
Qual o objetivo do ensino Waldorf?
R. As Escolas Waldorf trabalham com base na pedagogia
antroposófica desenvolvida por Rudolf Steiner, no início
do século XX, fundamentada numa ciência empírica
moderna e ampliada pelo conhecimento da realidade anímico-espiritual.
Nela, cada criança é vista e respeitada como uma individualidade,
com talentos, capacidades e objetivos de vida a serem desvendados. Observar
e desenvolver esses talentos e capacidades é a meta da escola.
O esforço pedagógico busca fazer com que a criança
vivencie as mais diversas situações, com todos os seus
sentidos, para então chegar à reflexão e ao conhecimento.
Também é meta da escola, despertar a sensibilidade artística
e espiritual do aluno.(1)
2 . Qual a origem das Escolas
Waldorf?
R. Em 1919, Rudolf Steiner, filósofo austríaco,
cientista e artista, foi convidado a dar uma série de palestras
aos trabalhadores da Waldorf-Astoria, uma fábrica de cigarros
localizada em Stuttgart, na Alemanha. Steiner começou a descrever
qual seria o posicionamento apropriado de uma escola em relação
à vida cultura, econômica e social naquela época
conturbada, ao final da Primeira Guerra Mundial. As idéias de
Steiner foram acolhidas por Emil Molt, dono da fábrica, que se
empenhava não apenas em proporcionar uma escola complementar
aos seus operários, mas também fundar uma escola para
os filhos destes. Rudolf Steiner assumiu a concepção e
direção da nova escola, dentro de uma ampla fundamentação
pedagógica. Ele constituiu o primeiro colegiado de professores
e trabalhou com eles, em mais de 70 palestras, seminários, conferências
e assistências às salas de aula.(2)
3. Quantas escolas Waldorf existem
atualmente?
R. De acordo com a Federação das Escolas
Waldorf no Brasil, existem atualmente 16 escolas espalhadas pelo País.
Além da capital paulista, há instituições
em Capão Bonito, Botucatu, Bauru, Ribeirão Preto, Avaré
e Poá, e nos Estados de Minas Gerais, Ceará, Santa Catarina,
Mato Grosso e Rio de Janeiro. No mundo, existem cerca de 700 escolas.(1)
4. O que há de único
sobre o ensino Waldorf?
R. Para alguns aficionados, a Pedagogia Waldorf preocupa-se
em ‘formar’ o aluno, enquanto que os métodos tradicionais
procuram ‘informá-lo’. O professor Rudolf Lanz, no
livro A Pedagogia Waldorf – Caminho para um ensino mais humano,
ressalta que tal afirmação contém uma grande parcela
de verdade, mas não toda a verdade. É certo que a Pedagogia
Waldorf visa a formação do ser humano em todos os aspectos,
mas a informação também é necessária,
pois sem ela nenhuma formação é possível.
O conhecimento é um instrumento poderoso e imprescindível
para a formação, mas é um ‘meio’ e
não um fim em si mesmo. Além disso, acrescenta o professor,
a Pedagogia Waldorf descarta tudo que é apenas conhecimento inútil,
abstrato, enciclopédico, sem relação com a vida.
Por exemplo: ela prefere, no ensino de Geografia, transmitir uma imagem
viva de um país, de uma região, ou de um processo telúrico,
em vez de abarrotar a memória do aluno com nomes próprios
e dados que em nada contribuem para constituir uma unidade orgânica.(3)
5. Quais as características
de um currículo de uma escola Waldorf?
R. O currículo Waldorf está estruturado
de forma a atender as várias fases do desenvolvimento da criança.
O ensino não se restringe à mera transmissão de
conhecimento. O segredo consiste em ensinar a aprender. As matérias
são revistas diversas vezes no decorrer do ciclo, mas a cada
nova abordagem dispõe de maior aprofundamento. Em cada etapa,
novos pontos de vista e questões são colocados em relação
ao assunto já aprendido. O objetivo desse processo é estimular
a vontade espontânea de aprender, o espírito de investigação
e a disposição para a atividade criativa. Dentro das possibilidades
do currículo, as matérias teóricas, artísticas
e práticas são agrupadas de forma que o trabalho em sala
de aula permita alterná-las adequadamente, com intervalos que
propiciem a assimilação duradoura do aprendizado. (4)
6. Em que se baseia a metodologia
de ensino?
R. A escolha das matérias, o horário
das aulas e a seleção dos temas para cada uma das disciplinas
levam em conta as sugestões feitas por Steiner e as experiências
acumuladas desde então, além de considerar as exigências
curriculares feitas pela legislação dos respectivos países.
(No caso do Brasil, a LDB). A metodologia de ensino baseia-se na seqüência
rítmica das fases do processo de aprendizagem: reconhecimento,
compreensão e domínio dos conteúdos. 1) vivenciar,
observar, experimentar; 2) recordar, descrever, caracterizar, anotar;
3) processar, analisar, abstrair, generalizar (elaboração
de teorias). Não se deve chegar à consolidação
de resultados em uma só aula. Depois da vivência (1) e
da descrição (2), intercala-se uma pausa, por meio da
qual o aluno pode se distanciar, também durante a noite, daquilo
que assimilou. O último passo é dado apenas no dia seguinte.
Dessa maneira, a Pedagogia Waldorf procura respeitar a polaridade entre
sono e vigília, já que o desenvolvimento de capacidades
não apenas cognitivas, mas também anímicas, pressupõe
a polaridade entre aprender e esquecer, entre consciência e inconsciência,
entre vigília e sono. Pelo exercício, pela união
artística e prática do que foi aprendido, alcança-se
o princípio da Pedagogia Waldorf: fazer com que o ser humano,
em sua totalidade, participe do processo de aprendizagem. (4)
7. Por que o aluno permanece com
o mesmo professor por oito anos?
R. Entre os sete e catorze anos, as crianças
aprendem melhor através da aceitação e estímulo
de uma autoridade. Especialmente nos primeiros anos do Ensino Fundamental,
a criança está começando a expandir sua vivência
fora de sua casa. A classe torna-se também um tipo de ‘família’,
com sua própria figura de autoridade – o professor –
numa analogia aos pais. Com este tipo de semelhança, o aluno
e o professor começam a se conhecer muito bem e o professor é
capaz de saber, durante os anos, a melhor maneira de ajudar cada criança
na sua vida escolar. (5)
8. Como são tratados conflitos
de personalidades entre alunos e professores?
R. Esta é uma inquietação comum
dos pais quando ouvem falar do professor de classe pela primeira vez.
Na prática, tal inquietação raramente se concretiza
quando o professor estabelece um relacionamento com a classe do Ensino
Fundamental. A incompatibilidade não é freqüente,
pois o professor é preparado para compreender as necessidades
da criança e seu temperamento. Se problemas desta natureza surgem,
a habilidade de pais e professores deve determinar quaisquer ações
corretivas no interesse do aluno e da classe. (5)
9. Como a Pedagogia Waldorf lida
com crianças que têm dificuldades no aprendizado?
R. As escolas Waldorf são hesitantes em rotular
crianças, particularmente com termos ‘devagar’ ou
‘talentoso’. Uma criança fraca em uma determinada
área, mesmo que cognitiva, emocional ou física, normalmente
terá o equilíbrio de ser forte em outra área. É
função do professor tentar fazer com que todo o ser da
criança se torne balanceado. (5)
10. As escolas Waldorf são
religiosas?
R. No sentido de contribuir na crença de uma
determinada religião ou seita, não. No entanto, as escolas
Waldorf tendem a ser orientadas espiritualmente e é baseada no
cristianismo. Não faz parte do currículo Waldorf aulas
de doutrinas religiosas e crianças de todas as crenças
são aceitas na escola. A orientação espiritual
tem por objetivo acordar na criança uma reverência natural
para o milagre e a beleza da vida. (5)
11. Por que dar ênfase na
celebração de festividades e cerimônias?
R. Festividades sazonais servem para conectar a humanidade
com o ritmo da natureza e do cosmo. As festividades iniciaram-se nas
culturas antigas e foram adaptadas durante os anos. Participando do
espírito festivo durante o ano, há um benefício
interno da alma. A celebração é uma arte. Existe
alegria na antecipação, preparação e na
própria celebração e na memória. As quatro
festividades sazonais são: São Micael (primavera), Natal
(verão), Páscoa (outono) e São João (inverno).
(5)
12. O que é Antroposofia?
R. A Antroposofia, do grego ‘conhecimento do
ser humano’, pode ser caracterizada como um método de conhecimento
da natureza do ser humano e do universo, que amplia o conhecimento obtido
pelo método científico convencional, bem como a sua aplicação
em praticamente todas as áreas da vida humana. Ela cobre toda
a vida humana e a natureza - daí suas aplicações
em praticamente todas as áreas da vida. A mais popular dessas
realizações práticas, a Pedagogia Waldorf, tem
seus resultados visíveis em escolas no mundo inteiro. Por seu
método ela chega ao fato de que o universo não é
constituído apenas de matéria e energia físicas,
redutíveis a processos puramente físico-químicos.
Ela descobre um mundo espiritual, estruturado de forma complexa em vários
níveis. Por exemplo, os seres humanos têm um nível
de “substância” espiritual, não-física,
mais complexa do que a das plantas e dos animais, daí sua distinção
em relação a eles. Ela também descreve seres puramente
espirituais, que não têm expressão física,
e que atuam em vários níveis diferentes de espiritualidade.
A Antroposofia parte da compreensão do ser humano para ele entender
não só a si próprio como a todo o universo (antropocentrismo).
Para ela, o ser humano gera, na sua evolução, o mundo
dos animais. Estes são especializações do ser humano,
que representa a razão de ser do universo físico, dele
também dependendo a evolução do mundo espiritual.
(2)
13. Por que as
escolas Waldorf desencorajam as crianças a assistirem televisão?
R. A mídia eletrônica impede seriamente
o desenvolvimento da imaginação da criança - faculdade
necessária para o desenvolvimento saudável do indivíduo.
Os professores Waldorf não estão sozinhos nessa crença.
Muitos livros foram escritos recentemente mostrando os efeitos da televisão
em crianças. Um dos maiores críticos dos meios eletrônicos
foi Neil Postman, ex-professor do departamento de Comunicação
da Universidade de Nova York. Postman tem vários livros publicados,
boa parte deles trata das conexões entre mídia e Educação.
Uma das suas obras mais importantes é O Desaparecimento da Infância.
Para ele, ‘com a informação eletrônica, especialmente
a TV, que só requer aptidões naturais e o entendimento
da fala, adquirido a partir do primeiro ano de vida, as fronteiras entre
crianças e adultos estão se desmoronando. A erotização
precoce e a crescente participação infanto-juvenil nos
índices de criminalidade são apenas aspectos mais alarmantes
de um conjunto de sinais de que a infância, em especial a meninice,
entre os sete anos e a puberdade, está em extinção’.
De acordo com Postman, ‘a família e a escola (únicas
instituições interessadas no assunto) seriam as últimas
resistências a evitar esse processo’. (6)
Fontes
(1)
Federação das Escolas Waldorf no Brasil www.federacaoescolaswaldorf.org.br
(2) Sociedade Antroposófica no Brasil www.sab.org.br
(3) Lanz, R. A Pedagogia Waldorf – Caminho para um ensino mais
humano. São Paulo: Antroposófica, 2000. (Algumas considerações
sobre o currículo Waldorf).
(4) Richter, T. Objetivo Pedagógico e Metas de Ensino de uma
Escola Waldorf. São Paulo: Federação das Escolas
Waldorf, 2002. (Currículos e aspectos Antropológicos/Processos
de ensino e aprendizagem).
(5) Frequently Asked Questions about Waldorf Education www.steiner-australia.org
(6) Postman, N. O Desaparecimento da Infância. Editora Graphia,
1999.
|