
A
música faz parte do currículo
desde o início da Escola. |
O
Impulso Inicial
“A
classe da primeira série sob minha responsabilidade tinha treze
alunos. Minha assistente
brasileira era a srta. Edith Schetty. Minha esposa, Ida, era responsável
pelo Jardim de Infância,
que contava com dezesseis crianças. E a srta. Marga Roesler era
sua colaboradora.
Não demorou muito e um maravilhoso calor humano começou
a reinar nos dois grupos, não obstante as nacionalidades diversas
dos alunos.
As crianças eram mais vivas, infantis e espontâneas do
que aquelas com as quais estávamos acostumados a trabalhar e
nos aceitaram com amor efusivo. Para que elas me compreendessem, ao
introduzir as letras (em alemão), tive de usar os pés
e as mãos, pois a lousa não bastava. Pintei contos de
fada em papel de embrulho, que chegou a cobrir todas as paredes.
Essas histórias, versadas em rimas, foram cantadas e ritmicamente
acentuadas por meio de batidas de palmas. Dessa forma, tivemos logo
uma base para nos entendermos em alemão. O ensino de Português
ocupava a segunda parte da manhã, após o recreio”.
O
depoimento acima é do educador alemão Karl Ulrich, um
dos responsáveis pela introdução da Pedagogia Waldorf
no Brasil. Escrito em 1976, para uma publicação comemorativa
do aniversário da Rudolf Steiner, o texto revela o espírito
idealista que norteava o trabalho dos fundadores. Ao chegarem aqui,
eles enfrentaram várias limitações. Da barreira
do idioma, que dificultava a comunicação fluente com os
alunos, às modestas instalações das primeiras salas
de aula. Tais restrições, porém, não foram
empecilhos para tornar a Escola uma realidade.
A
idéia de fundar a Escola Waldorf Rudolf Steiner no Brasil partiu
de um grupo de amigos antropósofos, os casais Mahle, Berkhout
e Schmitdt. “Impressionou-nos o fato de que os fundadores, donos
de empresas e sem filhos em idade escolar, quisessem oferecer ao Brasil
uma escola – de cuja pedagogia estavam profundamente compenetrados.
Eles estavam convencidos de que a antropologia de Rudolf Steiner era
um fundamento apropriado para a educação de crianças
de todos os povos, logo também do Brasil”, destacou Ulrich.
Melanie
e Hans Schmidt convenceram Karl e Ida a enfrentar o desafio de construir
a primeira escola Waldorf brasileira. Professor em escolas públicas
na Alemanha, em 1949 Karl fundara a Escola Waldorf de Pforzjheim, que,
no curto período de sete anos, reuniu 780 alunos e 36 professores.
Em seguida, o casal veio para o Brasil e, durante muitos anos, foi responsável
pela consolidação do fundamento antroposófico na
Escola Waldorf Rudolf Steiner.
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